<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Fernando C. Boppré &#187; Blog</title>
	<atom:link href="http://www.fernandoboppre.net/category/blog/feed" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://www.fernandoboppre.net</link>
	<description>Só mais um blog do WordPress</description>
	<lastBuildDate>Mon, 14 Jun 2010 02:57:55 +0000</lastBuildDate>
	<generator>http://wordpress.org/?v=2.9.1</generator>
	<language>en</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
			<item>
		<title>TUDO QUE É VIVO INCOMODA</title>
		<link>http://www.fernandoboppre.net/blog/tudo-que-e-vivo-incomoda.html</link>
		<comments>http://www.fernandoboppre.net/blog/tudo-que-e-vivo-incomoda.html#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 10 Jun 2010 02:37:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Blog]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.fernandoboppre.net/?p=371</guid>
		<description><![CDATA[O texto abaixo é parte da exposição &#8220;TUDO QUE É VIVO INCOMODA&#8221;, com minha curadoria, que se encontra na galeria do SESC-Joinville, de 10 de junho a 17 de julho de 2010. Ao longo de uma estada de três dias no início do mês de maio de 2010 na cidade de Joinville, a convite do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>O texto abaixo é parte da exposição &#8220;TUDO QUE É VIVO INCOMODA&#8221;, com minha curadoria, que se encontra na galeria do SESC-Joinville, de 10 de junho a 17 de julho de 2010. Ao longo de uma estada de três dias no início do mês de maio de 2010 na cidade de Joinville, a convite do SESC-SC,  tive a oportunidade de conhecer aproximadamente 20 artistas.</em></p>
<p><a href="http://www.fernandoboppre.net/wordpress/wp-content/uploads/2010/06/foto_TUDOQUEÉVIVOINCOMODA1.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-375" title="foto_TUDOQUEÉVIVOINCOMODA" src="http://www.fernandoboppre.net/wordpress/wp-content/uploads/2010/06/foto_TUDOQUEÉVIVOINCOMODA1-300x237.jpg" alt="" width="300" height="237" /></a>Joinville, cidade plana. Um breve morro faz surgir o tridimensional. É possível entender, todavia, o mesmo morro em outros termos. Na simples dissonância entre o substantivo e o verbo, depara-se com a finitude. Assim, torna-se possível dizer morro de morrer. Afinal, em qualquer vila ou vida está instalado o germe de seu ocaso.</p>
<p>Sérgio Adriano é o ponto de partida e de chegada desse circuito: mostra-nos, de uma parte, sua mãe desfalecida e, de outra parte, o prenúncio “TUDO QUE É VIVO INCOMODA”, que aporta o trágico e o cômico no mesmo gesto. Essa sentença foi tomada de empréstimo para o título e seu sentido é o leitmotiv desta exposição.</p>
<p>Em seguida, Fábio Salun apresenta um caudaloso rio e acaba por instalar um diálogo com a palavra que se tornará verbo com Jefferson Kielwagen. É preciso rir afinal Joinville tem rio que se chama Cachoeira (uma piada pronta e em movimento) e artista que faz de um brownie um princípio construtivo. Arte pode ser coisa pouca e leve, muito menos do que um algodão-doce. Eduardo Baumann e Melanie Peter nos lembram disso ao passo que Juliano Jahn faz o espaço expositivo mofar a olhos vistos. Há ainda: Priscila dos Anjos com seu corpo todo e o que sobrou dele em disputa – os cabelos em trança. Rogério Negrão com seu polvo disfarçado de aparelho de parque de diversões a tecer improváveis relações com a eternidade celeste. Por fim, há risco aqui, acolá: Ricardo Kolb.</p>
<p>Multidão de nevoeiro. Que insiste. Neblina que se opõe ao traço. Porque ela é difusora. Torna diferença coisa única. Densa. Mas inevitável. Como a morte. Apesar disso, fiquem tranquilos, afinal, como dizia Marcel Duchamp, “são sempre os outros que morrem”.</p>
<p><strong>Epítáfio para o término desta exposição:</strong></p>
<p>“Nós tentamos reproduzir a realidade, mas por mais que nos empenhemos, mais se impõem a nós as imagens batidas que compõem o espetáculo da história: o tamborileiro caído, o soldado de infantaria que acaba de apunhalar outro, o olho de um cavalo que salta da órbita, o imperador invulnerável cercado pelos seus generais, em meio ao turbilhão da batalha que se congela num átimo.” (W. G. Sebald, Austerlitz, p. 74-75)</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.fernandoboppre.net/blog/tudo-que-e-vivo-incomoda.html/feed</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Egídio Rocci</title>
		<link>http://www.fernandoboppre.net/blog/382.html</link>
		<comments>http://www.fernandoboppre.net/blog/382.html#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 09 Jun 2010 02:42:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Blog]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.fernandoboppre.net/blog/382.html</guid>
		<description><![CDATA[Um novo trabalho de Egídio Rocci. Com movimento – que sempre esteve presente em seu percurso (como na sombra de avião a circular dentro de um armário, um trenzinho a dar voltas por dentro de três outros móveis, entre outros). São três linhas sutis: horizontais e paralelas entre si, sendo que a linha do meio [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Um novo trabalho de Egídio Rocci. Com movimento – que sempre esteve presente em seu percurso (como na sombra de avião a circular dentro de um armário, um trenzinho a dar voltas por dentro de três outros móveis, entre outros). São três linhas sutis: horizontais e paralelas entre si, sendo que a linha do meio é acionada por um pequeno motor que produz um discreto movimento circular. Percebemos aí que esta linha não era traço bidimensional, mas sim um pequeno fio, disfarçado de desenho. O mimetismo é desconstruído no exato instante em que se faz o movimento – ao contrário do cinema, quando a película em movimento, ao ser atravessada pela luz, produz o efeito ilusionista.</p>
<p><a href="http://www.fernandoboppre.net/wordpress/wp-content/uploads/2010/06/egidio_rocci-geladeira_verde-2004.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-381" title="egidio_rocci-geladeira_verde, 2004" src="http://www.fernandoboppre.net/wordpress/wp-content/uploads/2010/06/egidio_rocci-geladeira_verde-2004-218x300.jpg" alt="" width="218" height="300" /></a>Nos trabalhos de Rocci há sempre um disparate: seus móveis improváveis produzem inquietação. Ao observarmos, por exemplo, ao arquivo azul embutido em um armário, parece haver qualquer coisa de assombroso naquilo. e no silêncio da entrega deste móvel mutante diante de nossos olhos. Quem fez isso? Qual operação tresloucada produziu esse objeto?</p>
<p><em>Nota: vale uma visita à edição 21 da galeria<span style="color: #333399;"> <a href="http://interartive.org/" target="_blank">Interative</a></span> que traz fotografias dos trabalhos de Egídio Rocci e ótimo texto de Lucila Vilela: </em><a href="http://interartive.org/" target="_blank"><em>http://interartive.org/</em></a></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.fernandoboppre.net/blog/382.html/feed</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>o que falta</title>
		<link>http://www.fernandoboppre.net/blog/o-que-falta.html</link>
		<comments>http://www.fernandoboppre.net/blog/o-que-falta.html#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 08 Jun 2010 23:02:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Blog]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.fernandoboppre.net/?p=389</guid>
		<description><![CDATA[triste. bem triste.
não porque vida machuque
ou morte cá perto esteja.
é tão-só porque falta.
sem cheiro sem desespero
não da ordem do impossível
mas como braço dormente: mexe e não sente

triste.
bem triste.
não porque vida machuque
ou morte cá perto esteja.
é tão-só porque falta.
sem cheiro sem desespero
não da ordem do impossível
mas como braço dormente: mexe e não sente 

]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>triste. bem triste.</p>
<p>não porque vida machuque</p>
<p>ou morte cá perto esteja.</p>
<p>é tão-só porque falta.</p>
<p>sem cheiro sem desespero</p>
<p>não da ordem do impossível</p>
<p>mas como braço dormente: mexe e não sente</p>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;"><!--[if gte mso 9]><xml> <w:WordDocument> <w:View>Normal</w:View> <w:Zoom>0</w:Zoom> <w:HyphenationZone>21</w:HyphenationZone> <w:DoNotOptimizeForBrowser /> </w:WordDocument> </xml><![endif]--><!--  /* Style Definitions */ p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal 	{mso-style-parent:""; 	margin:0cm; 	margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:12.0pt; 	font-family:"Times New Roman"; 	mso-fareast-font-family:"Times New Roman";} @page Section1 	{size:612.0pt 792.0pt; 	margin:70.85pt 3.0cm 70.85pt 3.0cm; 	mso-header-margin:36.0pt; 	mso-footer-margin:36.0pt; 	mso-paper-source:0;} div.Section1 	{page:Section1;} --></p>
<p class="MsoNormal">triste.</p>
<p class="MsoNormal">bem triste.</p>
<p class="MsoNormal">não porque vida machuque</p>
<p class="MsoNormal">ou morte cá perto esteja.</p>
<p class="MsoNormal">é tão-só porque falta.</p>
<p class="MsoNormal">sem cheiro sem desespero</p>
<p class="MsoNormal">não da ordem do impossível</p>
<p><span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;amp;quot;">mas como braço dormente: mexe e não sente </span></p>
</div>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.fernandoboppre.net/blog/o-que-falta.html/feed</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>O grande detonador noturno</title>
		<link>http://www.fernandoboppre.net/blog/360.html</link>
		<comments>http://www.fernandoboppre.net/blog/360.html#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 29 May 2010 05:06:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Blog]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.fernandoboppre.net/?p=360</guid>
		<description><![CDATA[Esqueci-me de que um dia fui artista &#8211; e criança. Meu irmão fez a gentileza de me lembrar, enviando-me diretamente da seção de &#8220;Achados e Perdidos&#8221; de sua casa o desenho abaixo. Essa é do tempo do iôiô. Detalhe: na época, meu irmão não era tão generoso assim. O projeto de gente assinara a obra [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Esqueci-me de que um dia fui artista &#8211; e criança. Meu irmão fez a gentileza de me lembrar, enviando-me diretamente da seção de &#8220;Achados e Perdidos&#8221; de sua casa o desenho abaixo. Essa é do tempo do iôiô. Detalhe: na época, meu irmão não era tão generoso assim. O projeto de gente assinara a obra por mim, grafando meu nome no feminino (canto esquerdo inferior). O amor entre irmãos é sempre uma perversidade assistida, não?</p>
<p><em><a href="http://www.fernandoboppre.net/wordpress/wp-content/uploads/2010/05/Desenhos-Nando-12.jpg"><img class="alignleft size-large wp-image-366" title="Desenhos Nando - 1" src="http://www.fernandoboppre.net/wordpress/wp-content/uploads/2010/05/Desenhos-Nando-12-1024x669.jpg" alt="" width="1024" height="669" /></a><br />
</em></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.fernandoboppre.net/blog/360.html/feed</wfw:commentRss>
		<slash:comments>2</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Eixos 12, rodas 24</title>
		<link>http://www.fernandoboppre.net/blog/eixos-12-rodas-24.html</link>
		<comments>http://www.fernandoboppre.net/blog/eixos-12-rodas-24.html#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 11 May 2010 02:48:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Blog]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.fernandoboppre.net/?p=345</guid>
		<description><![CDATA[Doze eixos. Tão-somente vinte e quatro rodas. Certamente, cinquenta e tantas toneladas. A romper o ladrilho daquela cidade. Preto ouro. A cena abrupta estendida pelo estrondo desenho, rua retorcida pela massa imensa de um cargueiro rodoviário, a decidir invadir território alheio. Violento. O patrimônio rasgado: entortado. Cidade tomada pelo inadvertido veículo. Impróprio. Jamais autorizado a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Doze eixos. Tão-somente vinte e quatro rodas. Certamente, cinquenta e tantas toneladas. A romper o ladrilho daquela cidade. Preto ouro. A cena abrupta estendida pelo estrondo desenho, rua retorcida pela massa imensa de um cargueiro rodoviário, a decidir invadir território alheio. Violento. O patrimônio rasgado: entortado. Cidade tomada pelo inadvertido veículo. Impróprio. Jamais autorizado a estar ali. Naquele lugar, naquela noite. Corpo que invade o estabelecido. O milho para frangos histéricos: peso transportado, era tanto e tão pouco. A carga norte-sul. Noite adentro. Dia afora. O desejo de vencer o trópico, ver capivaras à beira dos rios. De água doce. Não obstante, a desforra de nunca chegar. E decidir adentrar ao espaço tombado. Foi assim, caminhão rasgou o centro histórico de Ouro Preto, fez cindir casarios seculares, derrubou paredes tombadas e decidiu por fim a toda aquela ficção. Já interrompida.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.fernandoboppre.net/blog/eixos-12-rodas-24.html/feed</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Occo, de Marcela Reichelt</title>
		<link>http://www.fernandoboppre.net/blog/occo-de-marcela-reichelt.html</link>
		<comments>http://www.fernandoboppre.net/blog/occo-de-marcela-reichelt.html#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 07 May 2010 14:02:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Blog]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.fernandoboppre.net/?p=340</guid>
		<description><![CDATA[do corpo
ensaio solo de corpo. a direção corajosa de apostar nesse corpo, de afastá-lo do excesso. de conjugá-lo no singular, de grafá-lo em minúsculo. com isso, o cenário abolido, adereços reduzidos &#8211; quase a zero. de início, corpo sobre salto alto constragedor. sem dúvida alguma, o mal estar da civilização está todo ali,  naquele sapato, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>do corpo</strong></p>
<p>ensaio solo de corpo. a direção corajosa de apostar nesse corpo, de afastá-lo do excesso. de conjugá-lo no singular, de grafá-lo em minúsculo. com isso, o cenário abolido, adereços reduzidos &#8211; quase a zero. de início, corpo sobre salto alto constragedor. sem dúvida alguma, o mal estar da civilização está todo ali,  naquele sapato, na exposição do corpo sobre ele. do alto de nada.</p>
<p><strong>do silêncio</strong></p>
<p>música ocupa a brevidade. o silêncio invade o espaço. toma conta de tudo: do público (que sequer ousa reacomodar-se nas cadeiras), das coxias (espaço do silêncio por excelência e que assim permanece, onde tudo é cego e santo), dos refletores e das caixas de som (que, não obstante, revoltam-se contra o silêncio e emitem ruídos constantes da tensão elétrica, como a dizer estamos aqui para tornar esse corpo visível).</p>
<p><strong>queda cadente</strong></p>
<p>um corpo a atravessar o tempo. arrastar-se no espaço. uma poética do micro em que cada gesto assume a densidade de uma queda. assim, a porção final torna o chão o local onde tudo ocorre, sendo que o difícil é prosseguir. a vida ao rés-do-chão. a sutileza de perceber a queda não como histeria coletiva (tal qual nas espetacularizações do <em>Cena 11</em>) mas como um trânsito da (de)cadência . não assistimos a um espetáculo, mas sim o seu avesso. o corpo ali. todo ele.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.fernandoboppre.net/blog/occo-de-marcela-reichelt.html/feed</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>pinturas &#8211; roberta tassinari*</title>
		<link>http://www.fernandoboppre.net/blog/pinturas-roberta-tassinari.html</link>
		<comments>http://www.fernandoboppre.net/blog/pinturas-roberta-tassinari.html#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 06 May 2010 23:06:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Blog]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.fernandoboppre.net/?p=319</guid>
		<description><![CDATA[ “Todo corpo continua em seu estado de repouso ou de movimento uniforme em uma linha reta, a menos que seja forçado a mudar aquele estado por forças aplicadas sobre ele.” (Primeira Lei de Newton)
roberta tassinari dá a ver um mundo decaído. uma pintura que se precipita. ainda assim, suave, translúcida. o gosto em ver [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.fernandoboppre.net/wordpress/wp-content/uploads/2010/05/sem-titulo-cópia.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-320" title="sem titulo  cópia" src="http://www.fernandoboppre.net/wordpress/wp-content/uploads/2010/05/sem-titulo-cópia-224x300.jpg" alt="" width="224" height="300" /></a> <em>“Todo corpo continua em seu estado de repouso ou de movimento uniforme em uma linha reta, a menos que seja forçado a mudar aquele estado por forças aplicadas sobre ele.” (Primeira Lei de Newton)</em></p>
<p>roberta tassinari dá a ver um mundo decaído. uma pintura que se precipita. ainda assim, suave, translúcida. o gosto em ver essas cores é inegável. o desejo de tocá-las ainda maior.</p>
<p>uma pintura em movimento, quase cinema. porque há aqui o movimento implícito (do alto para baixo). e existe um resto, um excedente dessa operação da artista que se acumula diante de nossos pés.</p>
<p>nos filmes: há trechos que ficam de fora. em contrapartida, na pintura de roberta tassinari: a sobra é incorporada, faz-se obra por meio do excesso.</p>
<p>se pensarmos em todo o esforço da história da pintura, ao menos até o século XIX, em fazer caber as linhas e as cores no espaço delimitado de um quadro (sendo a pintura em tela a principal representante desse desejo e claude monet o sujeito que o frustrou ao fazer seus barcos atravessarem o limite das molduras e depositar esse resto de imagem no vazio). se tivermos em mente também o não menos laborioso desafio que o cinema se lançou ao decidir enquadrar as ações de modo a caberem na tela de projeção. assim, o trabalho de roberta tassinari será desconcertante. porque não diz respeito ao quadro, à tela branca de projeção. ele desliza no terreno do improvável.</p>
<p><a href="http://www.fernandoboppre.net/wordpress/wp-content/uploads/2010/05/geleca-roxa-parede-034_baixa1.jpg"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-357" title="geleca roxa parede 034_baixa" src="http://www.fernandoboppre.net/wordpress/wp-content/uploads/2010/05/geleca-roxa-parede-034_baixa1-150x150.jpg" alt="" width="150" height="150" /></a>e ainda: ao contrário de nossos pés, que servem para sustentar o peso de um corpo em constante luta contra a gravidade, estes trabalhos apostam na queda, na justaposição da força da gravidade com seu próprio gesto. afinal, ao posicionar-se no alto do painel para ali depositar e fazer cair a amoeba (trata-se da famosa geleca, brinquedo infantil, mas que se torna instrumento plástico no processo da artista), o que ela faz é dizer: “sim, estou aqui com meu corpo, aplicando essa massa de cor; no entanto, além do meu corpo há o acaso, que vai sobredeterminar o desenho que essa cor ganhará até alcançar o solo”.</p>
<p>e é nessa conjunção entre o acaso e o desejo da artista que surge esse belo trabalho. porque sim, a beleza está aqui, travestida de arte contemporânea.</p>
<p>&#8212;&#8211;</p>
<p><em>* Texto escrito a convite da artista para a exposição &#8220;Pinturas &#8211; Roberta Tassinari&#8221;, em Joinville/SC, na Galeria Municipal de Arte Victor Kursancew, de 7 de maio a 11 de junho de 2010.</em></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.fernandoboppre.net/blog/pinturas-roberta-tassinari.html/feed</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Entre dois nadas*, Fabíola Scaranto</title>
		<link>http://www.fernandoboppre.net/blog/entre-dois-nadas-fabiola-scaranto.html</link>
		<comments>http://www.fernandoboppre.net/blog/entre-dois-nadas-fabiola-scaranto.html#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 05 May 2010 02:59:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Blog]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.fernandoboppre.net/?p=323</guid>
		<description><![CDATA[1.
o sopro.
o gesto da criação, por excelência.
do efêmero.
scaranto reinveste o arcaico:
soprar uma película transparente esférica
seu corpo, presente em cena, é o princípio
- e também o fim
condutor de uma poética do frágil
2.
utsuroi:  termo japonês utilizado por roland barthes para abordar o haikai.
 “utsuroi: momento frágil que separa e junta dois estados de uma coisa e fica [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>1.</p>
<p>o sopro.</p>
<p>o gesto da criação, por excelência.</p>
<p>do efêmero.</p>
<p>scaranto reinveste o arcaico:</p>
<p>soprar uma película transparente esférica</p>
<p>seu corpo, presente em cena, é o princípio</p>
<p>- e também o fim</p>
<p>condutor de uma poética do frágil</p>
<p>2.</p>
<p><em>utsuroi</em>:  termo japonês utilizado por roland barthes para abordar o haikai.</p>
<p><em> “utsuroi: momento frágil que separa e junta dois estados de uma coisa e fica suspenso no vazio (em suma: é dizer pouco!) antes de reintegrar ‘outra’ → Para os japoneses, dizem, não é propriamente a flor de cerejeira que é bela: é o momento em que, perfeitamente desabrochada, ela vai murchar → Tudo isso diz o quanto o haicai é uma ação (de escrita) entre a vida e a morte.”</em> (A preparação do romance, v. 1, p. 114)</p>
<p>3.</p>
<p>como flor de cerejeira</p>
<p>instante a conceder à matéria</p>
<p>esplendor do belo e do frágil</p>
<p>tempo do oco, do pouco</p>
<p>nada pesa</p>
<p>a não ser sobre si.</p>
<p>&#8212;-</p>
<p><em>* Para visualizar o vídeo &#8220;Entre Dois Nadas&#8221;, de Fabiola Scaranto, acesse a<span style="color: #0000ff;"> <a href="http://interartive.org/index.php/virtual-gallery/current-virtual-gallery/" target="_blank">Current Virtual Gallery Interartive # 20</a></span></em></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.fernandoboppre.net/blog/entre-dois-nadas-fabiola-scaranto.html/feed</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Nelson Rodrigues, o homem que não terminava frases com três pontinhos</title>
		<link>http://www.fernandoboppre.net/blog/nelson-rodrigues.html</link>
		<comments>http://www.fernandoboppre.net/blog/nelson-rodrigues.html#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 02 May 2010 11:53:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Blog]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.fernandoboppre.net/?p=252</guid>
		<description><![CDATA[
Nelson escrevia como quem toma cafezinho. Ainda assim, tinha úlceras: “O antiácido tem sido a minha mais recente fé”, escreveu em 1968. A infernal sinceridade impressa a cada asserção. Frases onde bastavam tão-somente uma palavra. Períodos interrompidos subitamente com um deslocado ponto final (quando o senso comum encerraria com  reticências). O saber dizer sobre [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><!--[if gte mso 9]><xml> <w:WordDocument> <w:View>Normal</w:View> <w:Zoom>0</w:Zoom> <w:HyphenationZone>21</w:HyphenationZone> <w:DoNotOptimizeForBrowser /> </w:WordDocument> </xml><![endif]--><!--  /* Style Definitions */ p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal 	{mso-style-parent:""; 	margin:0cm; 	margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:12.0pt; 	font-family:"Times New Roman"; 	mso-fareast-font-family:"Times New Roman";} @page Section1 	{size:612.0pt 792.0pt; 	margin:70.85pt 3.0cm 70.85pt 3.0cm; 	mso-header-margin:36.0pt; 	mso-footer-margin:36.0pt; 	mso-paper-source:0;} div.Section1 	{page:Section1;} --></p>
<p><a href="http://www.fernandoboppre.net/wordpress/wp-content/uploads/2010/02/nelson_rodrigues.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-255" title="nelson_rodrigues" src="http://www.fernandoboppre.net/wordpress/wp-content/uploads/2010/02/nelson_rodrigues-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a>Nelson escrevia como quem toma cafezinho. Ainda assim, tinha úlceras: “O antiácido tem sido a minha mais recente fé”, escreveu em 1968. A infernal sinceridade impressa a cada asserção. Frases onde bastavam tão-somente uma palavra. Períodos interrompidos subitamente com um deslocado ponto final (quando o senso comum encerraria com  reticências). O saber dizer sobre picolés Chicabons com a mesma importância com que se referia a Guimarães Rosa. O comicamente trágico.</p>
<p>Por essas e outras impressões de um iniciante que me ponho a ler de maneira sistemática sua obra teatral completa. Até então, devo ter assistido a meia dúzia de montagens de suas peças. Lembro-me sobretudo de “Vestido de Noiva”, d’Os Satyros, “Senhora dos Afogados”, de Antunes Filho e “As Noivas de Nelson”, da Cia. Paulista de Artes. O cinema e a televisão acrescentaram algum repertório (sobretudo os filmes de Arnaldo Jabor). Além disso, li esparsamente peças como “Bonitinhas, mas ordinária”, “Beijo no asfalto” e “A Serpente” assim como os textos que compõem “A vida como ela é”.</p>
<p>p.s.: Alguns dias após escrever as linhas acima sonhei com Nelson. Ele estava em minha frente, repartindo comigo uma mesa quadrada. Tinha uma pilha de livros nas mãos e tentava reuni-las com um cordão e um prendedor que, no entanto, rasgava o livro situado abaixo dele, cujo autor era Virgilio Várzea (colega de Cruz e Sousa, destacou-se na prosa). Disse-lhe: “Que cena ótima, o escritor que mais adoro furando o autor que eu mais admiro”. Nelson ficou feliz com minha fala e decidiu me presentear com um exemplar autografado de um livro dele. Não sei donde tirei a declarada adoração por Várzea. Será saudades de jogar futebol/várzea?</p>
<div id="_mcePaste" style="overflow: hidden; position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px;"><!--[if gte mso 9]><xml> <w:WordDocument> <w:View>Normal</w:View> <w:Zoom>0</w:Zoom> <w:HyphenationZone>21</w:HyphenationZone> <w:DoNotOptimizeForBrowser /> </w:WordDocument> </xml><![endif]--><!--  /* Style Definitions */ p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal 	{mso-style-parent:""; 	margin:0cm; 	margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:12.0pt; 	font-family:"Times New Roman"; 	mso-fareast-font-family:"Times New Roman";} @page Section1 	{size:612.0pt 792.0pt; 	margin:70.85pt 3.0cm 70.85pt 3.0cm; 	mso-header-margin:36.0pt; 	mso-footer-margin:36.0pt; 	mso-paper-source:0;} div.Section1 	{page:Section1;} --></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="EN-US">Por essas e outras impressões de um iniciante que me ponho a ler de maneira sistemática sua obra teatral completa. Até então, devo ter assistido a meia dúzia de montagens de suas peças. Lembro-me sobretudo de “Vestido de Noiva”, d’Os Satyros, “Senhora dos Afogados”, de Antunes Filho e “As Noivas de Nelson”, da Cia. Paulista de Artes. O cinema e a televisão acrescentaram algum repertório (sobretudo os filmes de Arnaldo Jabor). Além disso, li esparsamente peças como “Bonitinhas, mas ordinária”, “Beijo no asfalto” e “A Serpente” assim como os textos que compõem “A vida como ela é”. </span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="EN-US"><!--[if !supportEmptyParas]--> <!--[endif]--></span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="EN-US">A edição dedicada ao teatro completo de Nelson Rodrigues da editora Nova Aguilar, organizada por Sábato Magaldi, prezou pela distribuição dos textos em três grandes grupos não-cronológicos: “Peças psicológicas”, “Peças míticas” e “Tragédias cariocas”. A proposta é seguir tal sequência na primeira leitura. Após o término, encarar o prefácio e a fortuna crítica de Magaldi situados no início do livro. Ao término de cada peça, redigirei breves notas e as postarei aqui. </span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="EN-US"><!--[if !supportEmptyParas]--> <!--[endif]--></span></p>
<p><span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;amp;amp;" lang="EN-US">p.s.: Alguns dias após escrever as linhas acima sonhei com Nelson. Ele estava em minha frente, repartindo comigo uma mesa quadrada. Ele tinha uma pilha de livros nas mãos e tentava reuni-las com um cordão e um prendedor que, no entanto, rasgava o livro situado abaixo dele, cujo autor era Virgilio Várzea (colega de Cruz e Sousa, destacou-se na prosa). Disse-lhe: “Que cena ótima, o escritor que mais adoro furando o autor que eu mais admiro”. Nelson ficou feliz com minha fala e decidiu me presentear com um exemplar autografado de um livro dele. Não sei donde tirei a declarada adoração por Várzea. Será saudades de jogar futebol/várzea? </span></p>
</div>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.fernandoboppre.net/blog/nelson-rodrigues.html/feed</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Indisposto</title>
		<link>http://www.fernandoboppre.net/blog/indisposto.html</link>
		<comments>http://www.fernandoboppre.net/blog/indisposto.html#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 01 May 2010 19:59:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Blog]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.fernandoboppre.net/?p=303</guid>
		<description><![CDATA[O bilhete apócrifo dirigido a Lucien Chardon, o desavisado protagonista de &#8220;Ilusões Perdidas&#8221;, de Honoré Balzac. Redigido em forma de recusa. Expedido sem o contato com aquele que se nega. As senhoras Bargeton e a marquesa d&#8217;Espard não desejam mais compartilhar de sua presença. O perverso expediente: um papel deixado por outrem em casa de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O bilhete apócrifo dirigido a Lucien Chardon, o desavisado protagonista de &#8220;Ilusões Perdidas&#8221;, de Honoré Balzac. Redigido em forma de recusa. Expedido sem o contato com aquele que se nega. As senhoras Bargeton e a marquesa d&#8217;Espard não desejam mais compartilhar de sua presença. O perverso expediente: um papel deixado por outrem em casa de Lucien. O conteúdo pouco importa, as senhoras estão indispostas. É impressionante como era simples resolver as coisas no século XIX: &#8220;Ela está indisposta&#8221; era a senha para se desobrigar da vida pública. O desejo de se tornar nobre é vedado ao plebeu Lucien por meio de um simples pedaço de papel, com as poucas linhas de Bargeton:</p>
<p><em>&#8220;A senhora d&#8217;Espard está indisposta, não poderá recebê-los amanhã. Eu vou me levantar e fazer companhia a ela. Sinto muito por esse contratempo, mas o seu talento me tranquiliza&#8221;.</em></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.fernandoboppre.net/blog/indisposto.html/feed</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
	</channel>
</rss>
