Nelson Rodrigues

Nelson escrevia como quem toma cafezinho. Ainda assim, tinha úlceras: “O antiácido tem sido a minha mais recente fé”, escreveu em 1968. A infernal sinceridade impressa a cada asserção. Frases onde bastavam tão-somente uma palavra. Períodos interrompidos subitamente com um deslocado ponto final (quando o senso comum encerraria com reticências). O saber dizer sobre picolés Chicabons com a mesma importância com que se referia a Guimarães Rosa. O comicamente trágico.

Por essas e outras impressões de um iniciante que me ponho a ler de maneira sistemática sua obra teatral completa. Até então, devo ter assistido a meia dúzia de montagens de suas peças. Lembro-me sobretudo de “Vestido de Noiva”, d’Os Satyros, “Senhora dos Afogados”, de Antunes Filho e “As Noivas de Nelson”, da Cia. Paulista de Artes. O cinema e a televisão acrescentaram algum repertório (sobretudo os filmes de Arnaldo Jabor). Além disso, li esparsamente peças como “Bonitinhas, mas ordinária”, “Beijo no asfalto” e “A Serpente” assim como os textos que compõem “A vida como ela é”.

A edição dedicada ao teatro completo de Nelson Rodrigues da editora Nova Aguilar, organizada por Sábato Magaldi, prezou pela distribuição dos textos em três grandes grupos não-cronológicos: “Peças psicológicas”, “Peças míticas” e “Tragédias cariocas”. A proposta é seguir tal sequência na primeira leitura. Após o término, encarar o prefácio e a fortuna crítica de Magaldi situados no início do livro. Ao término de cada peça, redigirei breves notas e as postarei aqui.

p.s.: Alguns dias após escrever as linhas acima sonhei com Nelson. Ele estava em minha frente, repartindo comigo uma mesa quadrada. Ele tinha uma pilha de livros nas mãos e tentava reuni-las com um cordão e um prendedor que, no entanto, rasgava o livro situado abaixo dele, cujo autor era Virgilio Várzea (colega de Cruz e Sousa, destacou-se na prosa). Disse-lhe: “Que cena ótima, o escritor que mais adoro furando o autor que eu mais admiro”. Nelson ficou feliz com minha fala e decidiu me presentear com um exemplar autografado de um livro dele. Não sei donde tirei a declarada adoração por Várzea. Será saudades de jogar futebol/várzea?

Por essas e outras impressões de um iniciante que me ponho a ler de maneira sistemática sua obra teatral completa. Até então, devo ter assistido a meia dúzia de montagens de suas peças. Lembro-me sobretudo de “Vestido de Noiva”, d’Os Satyros, “Senhora dos Afogados”, de Antunes Filho e “As Noivas de Nelson”, da Cia. Paulista de Artes. O cinema e a televisão acrescentaram algum repertório (sobretudo os filmes de Arnaldo Jabor). Além disso, li esparsamente peças como “Bonitinhas, mas ordinária”, “Beijo no asfalto” e “A Serpente” assim como os textos que compõem “A vida como ela é”.

A edição dedicada ao teatro completo de Nelson Rodrigues da editora Nova Aguilar, organizada por Sábato Magaldi, prezou pela distribuição dos textos em três grandes grupos não-cronológicos: “Peças psicológicas”, “Peças míticas” e “Tragédias cariocas”. A proposta é seguir tal sequência na primeira leitura. Após o término, encarar o prefácio e a fortuna crítica de Magaldi situados no início do livro. Ao término de cada peça, redigirei breves notas e as postarei aqui.

p.s.: Alguns dias após escrever as linhas acima sonhei com Nelson. Ele estava em minha frente, repartindo comigo uma mesa quadrada. Ele tinha uma pilha de livros nas mãos e tentava reuni-las com um cordão e um prendedor que, no entanto, rasgava o livro situado abaixo dele, cujo autor era Virgilio Várzea (colega de Cruz e Sousa, destacou-se na prosa). Disse-lhe: “Que cena ótima, o escritor que mais adoro furando o autor que eu mais admiro”. Nelson ficou feliz com minha fala e decidiu me presentear com um exemplar autografado de um livro dele. Não sei donde tirei a declarada adoração por Várzea. Será saudades de jogar futebol/várzea?


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