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	<title>Comentários sobre: Basbaum no Palácio Cruz e Sousa</title>
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		<title>Por: sergio basbaum</title>
		<link>http://www.fernandoboppre.net/blog/basbaum-no-palacio-cruz-e-sousa.html/comment-page-1#comment-13</link>
		<dc:creator>sergio basbaum</dc:creator>
		<pubDate>Wed, 13 Dec 2006 02:10:00 +0000</pubDate>
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		<description>Então, F. C. B.,&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Belo blog, pensante e visitante de tantas  exposiçõs relevantes. Fica meio nepotista colocar discussões relativas a alguém tão próximo como o Ricardo Basbaum, mas gostaria de fazer pequenas observações quanto ao seu texto sobre o NBP.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Num certo sentido, ele tem uma reação a uma significação bastante precisa que o objeto toma num circuito local. Você observa essa relação, acredita que ela fetichiza o objeto e daí um impulso interessante de descolamento. Como, diria o Nélson Rodrigues, &quot;toda unanimidade é burra&quot; há este impulso em pensar do outro lado, e você se coloca solidário ao Vaca -- que de certa forma quis talvez esvaziar o objeto remetendo-o ao museu, talvez até apressando o ciclo estranho da obra na cultura, que é, num certo momento, ser recuperada por um sistema memorialista, arrancada do cotidiano e colocada no museu, como foi toda a vanguarada da primeira metade do século e tal. Mas, veja bem, este movimento de museificação também é, de certo modo, uma fetichização em alto grau. Isso já daria uma conversa razoável.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Ironicamente, seja qual for o modo de apropriação do objeto -- mesmo sua negação ou transformação em recibo ou panela de cuca --, ocorre que, uma vez &lt;br/&gt;em contato com ele, a contaminação é irreversível; e nesse sentido o trabalho é espantoso no modo como explicita o modo operativo da obra de arte, e dá, pelo seu absurdo e inusitado, uma visibilidade nova de uma série de mecanismos de circulação de informação que organizam o mundo contemporâneo.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Mas tudo isso talvez seja até bastante &lt;br/&gt;óbvio.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;O que acho engraçado no seu comentário &lt;br/&gt;é esse ranço meio recalque, de dizer que o Ricardo Basbaum vai a Documenta com uma cuca feita com bananas colhidas no quintal dos outros. Claro, poder-se-ia dizer que isso vale para qualquer artista, já que a valoração  de um trabalho é sempre um empreendimento coletivo, o êxito de uma poética nunca é tarefa dela exclusivamente, mas das forças que a atravessam, e que se sentem agenciadas  na experiência inaugurada pela proposição. Trocando em miúdos meio simplórios, é preciso ter a sensibilidade de notar exatamente o que é que faz sucesso através do sucesso de uma obra de arte.     &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Nesse sentido, Documenta não é resultado somente de &quot;Você gostaria de participar de uma experiência artística&quot;, mas de todo um conjunto e atividades de reflexão (textos &quot;discutidos no Brasil inteiro&quot;, como você diz com certo exagero ou reverência, talvez, já que não somos tantos assim interessados em discutir arte), de crítica (fazendo ecoar o trabalho de diversos artistas, dando ressonância a diversas poéticas pela clareza da importância em fomentar a discussão e a conversa que materializa ou multiplica os sentidos abertos pela experiência desta ou daquela poética), de curadoria (vide, por exemplo, a experiência do finado Espaço Agora-Capacete), de editoria (Revista Item), de professor-propositor em diferentes contextos acadêmicos ou não -- e até mesmo de diretor do Instituto de Artes da UERJ, uma aporrinhação burocrática sem fim -- e finalmente  na própria atuação como artista que atravessa agora mais de duas décadas, com atuação individual e coletiva das mais surpreendentes. Tudo isso que se pode talvez recolher no conceito engenhoso de &quot;artista - etc.&quot;, que Ricardo cunhou para conceituar a multiplicidade da própria experiência.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;É precisamente essa condição de pensador-criador atuante em todos os níveis do circuito, segundo um modo extremamente plural e intenso de pensar a importância da obra de arte, e a persistência  numa atuação que não elegeu nunca o mercado como único lugar de circulação da obra de arte -- mas foi capaz de inventar outros lugares que sedimentam um modelo de artista que esteve, em certo momento, até mesmo ameaçado em função da re-organização do mercado de arte nos anos 80 -- que alimentou um certo circuito ou conjunto de fatores que acabou levando o projeto NBP -- e todas as vozes que ele veicula -- a Kassel. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Enfim, o que colocou o NBP na Documenta não foram só a contribuição dos relatos das múltiplas apropriações feitas do objeto por um monte de gente interessante, mas a noção de artista que a proposição -- e a própria atuação do Ricardo, num âmbito muito mais amplo e extremamente relevante para um certo modo de pensar a obra de arte e seu não-lugar nas sociedades contemporãneas       -- que projeto como um todo agencia.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Ao colocar as coisas dessa maneira simplória e um pouco recalcada de &quot;porque é que o projeto está na Documenta e não aqueles que o utilizaram&quot;, você acaba vendo aquilo que ele agencia de um modo meio pequeno e bastante limitado em relação ao horizonte artístico que você -- e o blog de modo geral -- parecem ter. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;O Iceberg é bem maior, enfim. Mas uma das não-finalidades da obra de arte é fazer com que ocupemos nosso tempo falando de coisas mais interessantes que o mero utilitarismo cotidiano, de modo a multiplicar as possibilidades de sentido -- alimentar, enfim, a conversa, já que a obra não se esgota na nossa experiência, mas se multiplica no circuito de troca simbólica que deflagra.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;De todo modo, é bom ver alguém que pensa na contramão.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;abs&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;S.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Então, F. C. B.,</p>
<p>Belo blog, pensante e visitante de tantas  exposiçõs relevantes. Fica meio nepotista colocar discussões relativas a alguém tão próximo como o Ricardo Basbaum, mas gostaria de fazer pequenas observações quanto ao seu texto sobre o NBP.</p>
<p>Num certo sentido, ele tem uma reação a uma significação bastante precisa que o objeto toma num circuito local. Você observa essa relação, acredita que ela fetichiza o objeto e daí um impulso interessante de descolamento. Como, diria o Nélson Rodrigues, &#8220;toda unanimidade é burra&#8221; há este impulso em pensar do outro lado, e você se coloca solidário ao Vaca &#8212; que de certa forma quis talvez esvaziar o objeto remetendo-o ao museu, talvez até apressando o ciclo estranho da obra na cultura, que é, num certo momento, ser recuperada por um sistema memorialista, arrancada do cotidiano e colocada no museu, como foi toda a vanguarada da primeira metade do século e tal. Mas, veja bem, este movimento de museificação também é, de certo modo, uma fetichização em alto grau. Isso já daria uma conversa razoável.</p>
<p>Ironicamente, seja qual for o modo de apropriação do objeto &#8212; mesmo sua negação ou transformação em recibo ou panela de cuca &#8211;, ocorre que, uma vez <br />em contato com ele, a contaminação é irreversível; e nesse sentido o trabalho é espantoso no modo como explicita o modo operativo da obra de arte, e dá, pelo seu absurdo e inusitado, uma visibilidade nova de uma série de mecanismos de circulação de informação que organizam o mundo contemporâneo.</p>
<p>Mas tudo isso talvez seja até bastante <br />óbvio.</p>
<p>O que acho engraçado no seu comentário <br />é esse ranço meio recalque, de dizer que o Ricardo Basbaum vai a Documenta com uma cuca feita com bananas colhidas no quintal dos outros. Claro, poder-se-ia dizer que isso vale para qualquer artista, já que a valoração  de um trabalho é sempre um empreendimento coletivo, o êxito de uma poética nunca é tarefa dela exclusivamente, mas das forças que a atravessam, e que se sentem agenciadas  na experiência inaugurada pela proposição. Trocando em miúdos meio simplórios, é preciso ter a sensibilidade de notar exatamente o que é que faz sucesso através do sucesso de uma obra de arte.     </p>
<p>Nesse sentido, Documenta não é resultado somente de &#8220;Você gostaria de participar de uma experiência artística&#8221;, mas de todo um conjunto e atividades de reflexão (textos &#8220;discutidos no Brasil inteiro&#8221;, como você diz com certo exagero ou reverência, talvez, já que não somos tantos assim interessados em discutir arte), de crítica (fazendo ecoar o trabalho de diversos artistas, dando ressonância a diversas poéticas pela clareza da importância em fomentar a discussão e a conversa que materializa ou multiplica os sentidos abertos pela experiência desta ou daquela poética), de curadoria (vide, por exemplo, a experiência do finado Espaço Agora-Capacete), de editoria (Revista Item), de professor-propositor em diferentes contextos acadêmicos ou não &#8212; e até mesmo de diretor do Instituto de Artes da UERJ, uma aporrinhação burocrática sem fim &#8212; e finalmente  na própria atuação como artista que atravessa agora mais de duas décadas, com atuação individual e coletiva das mais surpreendentes. Tudo isso que se pode talvez recolher no conceito engenhoso de &#8220;artista &#8211; etc.&#8221;, que Ricardo cunhou para conceituar a multiplicidade da própria experiência.</p>
<p>É precisamente essa condição de pensador-criador atuante em todos os níveis do circuito, segundo um modo extremamente plural e intenso de pensar a importância da obra de arte, e a persistência  numa atuação que não elegeu nunca o mercado como único lugar de circulação da obra de arte &#8212; mas foi capaz de inventar outros lugares que sedimentam um modelo de artista que esteve, em certo momento, até mesmo ameaçado em função da re-organização do mercado de arte nos anos 80 &#8212; que alimentou um certo circuito ou conjunto de fatores que acabou levando o projeto NBP &#8212; e todas as vozes que ele veicula &#8212; a Kassel. </p>
<p>Enfim, o que colocou o NBP na Documenta não foram só a contribuição dos relatos das múltiplas apropriações feitas do objeto por um monte de gente interessante, mas a noção de artista que a proposição &#8212; e a própria atuação do Ricardo, num âmbito muito mais amplo e extremamente relevante para um certo modo de pensar a obra de arte e seu não-lugar nas sociedades contemporãneas       &#8212; que projeto como um todo agencia.</p>
<p>Ao colocar as coisas dessa maneira simplória e um pouco recalcada de &#8220;porque é que o projeto está na Documenta e não aqueles que o utilizaram&#8221;, você acaba vendo aquilo que ele agencia de um modo meio pequeno e bastante limitado em relação ao horizonte artístico que você &#8212; e o blog de modo geral &#8212; parecem ter. </p>
<p>O Iceberg é bem maior, enfim. Mas uma das não-finalidades da obra de arte é fazer com que ocupemos nosso tempo falando de coisas mais interessantes que o mero utilitarismo cotidiano, de modo a multiplicar as possibilidades de sentido &#8212; alimentar, enfim, a conversa, já que a obra não se esgota na nossa experiência, mas se multiplica no circuito de troca simbólica que deflagra.</p>
<p>De todo modo, é bom ver alguém que pensa na contramão.</p>
<p>abs</p>
<p>S.</p>
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	<item>
		<title>Por: Ricardo Basbaum</title>
		<link>http://www.fernandoboppre.net/blog/basbaum-no-palacio-cruz-e-sousa.html/comment-page-1#comment-12</link>
		<dc:creator>Ricardo Basbaum</dc:creator>
		<pubDate>Tue, 12 Dec 2006 02:34:00 +0000</pubDate>
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		<description>olá Fernando,&lt;br/&gt;Por acaso encontrei seu blog, que não conhecia - achei bacana, achei vivo e atento. A experiência do &#039;arteporextenso&#039; mostra como o espaço do blog pode ser interessante para o desenvolvimento de um discurso (pós) crítico: é legal como a prosa pode fluir em ritmo próprio, como vocês dois [F.C.B. e V.R.] podem se revezar na dupla autoria, como os assuntos podem ser alinhados segundo os deslocamentos e viagens, como os leitores podem escrever e publicar comentários, etc etc etc. Vou voltar outras vezes e acompanhar as vozes de vocês. Mas queria exatamente comentar o artigo &quot;Basbaum no Palácio Cruz e Sousa&quot;, que li com interesse. É lugar comum, bem sei, mas repito: fico feliz em encontrar um texto sobre meu trabalho que proponha alguma discussão - pois em geral (digo, na grande imprensa) isso não ocorre: quando se diz, não se diz direito, e quando se diz se fala do entorno e o assunto mesmo, o mais interessante - a possível polêmica - fica um tanto vaga. Enfim... Repito: gostei de encontrar seu artigo e me interessaram algumas de suas observações. Mas tenho que indicar a você algumas correções, pois você escreve ali que eu disse coisas que de fato não disse, já que na verdade penso de modo completamente diferente - ao contrário até - do que você aponta. São duas coisas principais: uma é em referência à ação do vaca amarela como participante no projeto &quot;Você gostaria de participar de uma experiência artística?&quot;. Não é verdade que eu continue &quot;puto com o pessoal do Vaca Amarela&quot;, nem é verdade que eu não tenha gostado da intervenção do grupo no MASC - nunca coloquei as coisas dessa maneira. Aproveito então para esclarecer: eu adorei a intervenção do vaca amarela - foi muito precisa e inteligente; a ação do vaca sinalizou um momento de virada do projeto (que eu chamo hoje de &quot;fase 3&quot;, conforme indico no diagrama que mostrei na exposição Paralela, em SP - o diagrama está no site so projeto); em conversa com Ze Lacerda e Elisa Noronha, em julho de 2005, em Porto Alegre, indiquei meu interesse pelo que foi feito pelo vaca. Escrevi um texto (não publicado e que em breve estará disponível no site), chamado &quot;relatório de uma visita ao MASC no dia 13 de junho de 2005&quot;, em que procuro me posicionar em relação ao episódio (texto enviado por email ao grupo). Ali escrevi: &quot;a ação do grupo vaca amarela revela-se intrigante, ao costurar diversas camadas de sentido e introjetar o potencial de múltiplas possibilidades  – as quais não cabe somente a mim, e sim a todos os interessados, investigar; sobretudo ao grupo, sujeito coletivo cuja manifestação é mais do que importante neste episódio. (...) O vaca amarela realizou um gesto (...) que contempla uma aguda observação da cena artística e institucional de Florianópolis e do Brasil, produzindo uma manobra estratégica e aberta de intervenção (cujos desdobramentos podem ser amplamente cultivados e trabalhados).&quot; Se vejo a ação do VA com interesse para meu projeto - pois indica esta tal de &#039;terceira fase&#039; do projeto, assinalando o momento em que volto a me aproximar das intervenções realizadas, depois de estar um tanto afastado durante a &#039;fase 2&#039; (em que o objeto começa a circular sem minha intervenção direta, sendo conduzido pelos participantes) -, procuro demonstrar que se a acão do VA foi de fato &#039;interessante&#039; (e eu acho que foi) é porque ela ultrapassa as dimensões do meu projeto para revelar questões do circuito de arte local e nacional, chamando a atenção para questões concretas que se estendem para além de &quot;Você gostaria de participar de um experiência artística?&quot;. Ou seja, este é um traço importante de meu projeto: &quot;Ainda que o objeto físico seja o elemento real e concreto que deflagra os processos e inicia as experiências, na realidade seu papel é trazer para o primeiro plano certos conjuntos invisíveis de linhas e diagramas, relativos a diversos tipos de relações e dados sensoriais, tornando visíveis redes e estruturas de mediação.&quot; A ação do VA é significativa porque soube precisamente trazer à superfície limites e contradições de um certo circuito de arte e seu tecido institucional - do qual faz parte, como grupo ou coletivo -, tornando esses limites produtivos: assim está escrito, no relatório mencionado: &quot;o grupo vaca amarela doou o &#039;ato de doação&#039;, não apenas o gesto generoso de relacionar-se com o Museu a partir de um acréscimo ao seu patrimônio mas sobretudo a produção de uma fresta a partir da qual um processo vivo de produção de pensamento é deflagrado no interior do espaço institucional – cabe aos outros (&#039;nós e eles&#039;) prosseguir no desdobramento dos fios apontados. Ou seja, o gesto do grupo vaca amarela proporcionou a possibilidade do MASC incorporar em seu acervo o germe de uma dinâmica que tem como seu principal objetivo a produção do elemento vivo a partir do qual novos processos são deflagrados – nos termos concretos dos fluxos de seu funcionamento alinhado à dinâmica dos processos de invenção.&quot; Bem, espero que esteja claro que vejo a ação do VA como interessante e importante. Entretanto, um aspecto do grupo deixou-me intrigado e me fez produzir algumas críticas: desde o momento em que a ação foi deflagrada, não tive mais contato com o VA, que nunca mais respondeu às minhas tentativas de contato: procurei entrevistá-los através de vídeo ou email; enviei por email cópia do relatório; forneci senha para utilização do espaço do site para publicação da experiência realizada; convidei-os para participar do debate realizado no MHSC no dia 06/11/06 - nenhum destes gestos foi até agora (cor)respondido. Vejo estas tentativas de contato como gestos para que o próprio grupo afirme as questões que lhe interessa, de modo direto – que de alguma maneira se coloquem em torno das questões por eles deflagradas, certamente mais importantes que o meu projeto. Não há como não perceber no VA um curioso voyeurismo, em que buscam a invisibilidade enquanto sujeitos que de certa forma deixam de lado seus corpos (corpo coletivo) para perversamente habitar o corpo do outro. Penso que isso é também importante e interessante de ser discutido - mas é algo que não se fala... De todo modo, vejo que o VA agiu de modo claro e contundente, deixando importante marca em &quot;Você gostaria de participar de uma experiência artística?&quot; - gostaria, por certo, de ouvir outros ruídos... Mas Fernando, há um outro ponto em seu texto que não faz muito sentido (há uma clara distorção de sua parte): afirmar que &quot;os créditos de toda a história não ficam para o outro, mas sim para o Basbaum. (...) Ou será que os nomes do Vaca Amarela ou mesmo do Cássio Ferraz vão para a Documenta? E se for, vai ser nota de rodapé ou então em algum lugar do site do projeto. Quem vai estar no catálogo, quem vai viajar para a Europa, quem vai engordar o currículo vai ser o Basbaum.&quot; Bem, está claro que o projeto &quot;Você gostaria...?&quot; não envolve qualquer &#039;competição&#039; por &#039;créditos artísticos&#039; ou &#039;espaço em catálogo&#039;: todos os participantes realizam ações produtivas que se justificam plenamente em si mesmas, afirmando um lugar a partir do qual outros processos podem ser deflagrados - há uma produção real de redes de contato e elaboração de uma discussão que acaba por construir seu próprio fluxo: o website do projeto foi construído de modo a disponibilizar ferramentas de publicação aos participantes, que trabalham pela positividade de seus próprios discursos, sem passar por minha mediação (há os limites do site e os limites do projeto - estes não são escamoteados mas sim trazidos como elementos do jogo proposto) - ou seja, o website está no espaço coletivo da esfera pública informático-mediática. Assim foi concebido e desenvolvido o projeto desde seu início, em 1994 - a atual colaboração com a documenta 12 apenas amplifica a escala da proposta, colocando novos desafios frente a um momento de forte visibilidade.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Fernando, escrevi talvez demasiado, mas fiquei empolgado pela possibilidade de conversa com &#039;arteporextenso&#039; a partir de suas observações...&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Um abraço,&lt;br/&gt;Ricardo</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>olá Fernando,<br />Por acaso encontrei seu blog, que não conhecia &#8211; achei bacana, achei vivo e atento. A experiência do &#8216;arteporextenso&#8217; mostra como o espaço do blog pode ser interessante para o desenvolvimento de um discurso (pós) crítico: é legal como a prosa pode fluir em ritmo próprio, como vocês dois [F.C.B. e V.R.] podem se revezar na dupla autoria, como os assuntos podem ser alinhados segundo os deslocamentos e viagens, como os leitores podem escrever e publicar comentários, etc etc etc. Vou voltar outras vezes e acompanhar as vozes de vocês. Mas queria exatamente comentar o artigo &#8220;Basbaum no Palácio Cruz e Sousa&#8221;, que li com interesse. É lugar comum, bem sei, mas repito: fico feliz em encontrar um texto sobre meu trabalho que proponha alguma discussão &#8211; pois em geral (digo, na grande imprensa) isso não ocorre: quando se diz, não se diz direito, e quando se diz se fala do entorno e o assunto mesmo, o mais interessante &#8211; a possível polêmica &#8211; fica um tanto vaga. Enfim&#8230; Repito: gostei de encontrar seu artigo e me interessaram algumas de suas observações. Mas tenho que indicar a você algumas correções, pois você escreve ali que eu disse coisas que de fato não disse, já que na verdade penso de modo completamente diferente &#8211; ao contrário até &#8211; do que você aponta. São duas coisas principais: uma é em referência à ação do vaca amarela como participante no projeto &#8220;Você gostaria de participar de uma experiência artística?&#8221;. Não é verdade que eu continue &#8220;puto com o pessoal do Vaca Amarela&#8221;, nem é verdade que eu não tenha gostado da intervenção do grupo no MASC &#8211; nunca coloquei as coisas dessa maneira. Aproveito então para esclarecer: eu adorei a intervenção do vaca amarela &#8211; foi muito precisa e inteligente; a ação do vaca sinalizou um momento de virada do projeto (que eu chamo hoje de &#8220;fase 3&#8243;, conforme indico no diagrama que mostrei na exposição Paralela, em SP &#8211; o diagrama está no site so projeto); em conversa com Ze Lacerda e Elisa Noronha, em julho de 2005, em Porto Alegre, indiquei meu interesse pelo que foi feito pelo vaca. Escrevi um texto (não publicado e que em breve estará disponível no site), chamado &#8220;relatório de uma visita ao MASC no dia 13 de junho de 2005&#8243;, em que procuro me posicionar em relação ao episódio (texto enviado por email ao grupo). Ali escrevi: &#8220;a ação do grupo vaca amarela revela-se intrigante, ao costurar diversas camadas de sentido e introjetar o potencial de múltiplas possibilidades  – as quais não cabe somente a mim, e sim a todos os interessados, investigar; sobretudo ao grupo, sujeito coletivo cuja manifestação é mais do que importante neste episódio. (&#8230;) O vaca amarela realizou um gesto (&#8230;) que contempla uma aguda observação da cena artística e institucional de Florianópolis e do Brasil, produzindo uma manobra estratégica e aberta de intervenção (cujos desdobramentos podem ser amplamente cultivados e trabalhados).&#8221; Se vejo a ação do VA com interesse para meu projeto &#8211; pois indica esta tal de &#8216;terceira fase&#8217; do projeto, assinalando o momento em que volto a me aproximar das intervenções realizadas, depois de estar um tanto afastado durante a &#8216;fase 2&#8242; (em que o objeto começa a circular sem minha intervenção direta, sendo conduzido pelos participantes) -, procuro demonstrar que se a acão do VA foi de fato &#8216;interessante&#8217; (e eu acho que foi) é porque ela ultrapassa as dimensões do meu projeto para revelar questões do circuito de arte local e nacional, chamando a atenção para questões concretas que se estendem para além de &#8220;Você gostaria de participar de um experiência artística?&#8221;. Ou seja, este é um traço importante de meu projeto: &#8220;Ainda que o objeto físico seja o elemento real e concreto que deflagra os processos e inicia as experiências, na realidade seu papel é trazer para o primeiro plano certos conjuntos invisíveis de linhas e diagramas, relativos a diversos tipos de relações e dados sensoriais, tornando visíveis redes e estruturas de mediação.&#8221; A ação do VA é significativa porque soube precisamente trazer à superfície limites e contradições de um certo circuito de arte e seu tecido institucional &#8211; do qual faz parte, como grupo ou coletivo -, tornando esses limites produtivos: assim está escrito, no relatório mencionado: &#8220;o grupo vaca amarela doou o &#8216;ato de doação&#8217;, não apenas o gesto generoso de relacionar-se com o Museu a partir de um acréscimo ao seu patrimônio mas sobretudo a produção de uma fresta a partir da qual um processo vivo de produção de pensamento é deflagrado no interior do espaço institucional – cabe aos outros (&#8216;nós e eles&#8217;) prosseguir no desdobramento dos fios apontados. Ou seja, o gesto do grupo vaca amarela proporcionou a possibilidade do MASC incorporar em seu acervo o germe de uma dinâmica que tem como seu principal objetivo a produção do elemento vivo a partir do qual novos processos são deflagrados – nos termos concretos dos fluxos de seu funcionamento alinhado à dinâmica dos processos de invenção.&#8221; Bem, espero que esteja claro que vejo a ação do VA como interessante e importante. Entretanto, um aspecto do grupo deixou-me intrigado e me fez produzir algumas críticas: desde o momento em que a ação foi deflagrada, não tive mais contato com o VA, que nunca mais respondeu às minhas tentativas de contato: procurei entrevistá-los através de vídeo ou email; enviei por email cópia do relatório; forneci senha para utilização do espaço do site para publicação da experiência realizada; convidei-os para participar do debate realizado no MHSC no dia 06/11/06 &#8211; nenhum destes gestos foi até agora (cor)respondido. Vejo estas tentativas de contato como gestos para que o próprio grupo afirme as questões que lhe interessa, de modo direto – que de alguma maneira se coloquem em torno das questões por eles deflagradas, certamente mais importantes que o meu projeto. Não há como não perceber no VA um curioso voyeurismo, em que buscam a invisibilidade enquanto sujeitos que de certa forma deixam de lado seus corpos (corpo coletivo) para perversamente habitar o corpo do outro. Penso que isso é também importante e interessante de ser discutido &#8211; mas é algo que não se fala&#8230; De todo modo, vejo que o VA agiu de modo claro e contundente, deixando importante marca em &#8220;Você gostaria de participar de uma experiência artística?&#8221; &#8211; gostaria, por certo, de ouvir outros ruídos&#8230; Mas Fernando, há um outro ponto em seu texto que não faz muito sentido (há uma clara distorção de sua parte): afirmar que &#8220;os créditos de toda a história não ficam para o outro, mas sim para o Basbaum. (&#8230;) Ou será que os nomes do Vaca Amarela ou mesmo do Cássio Ferraz vão para a Documenta? E se for, vai ser nota de rodapé ou então em algum lugar do site do projeto. Quem vai estar no catálogo, quem vai viajar para a Europa, quem vai engordar o currículo vai ser o Basbaum.&#8221; Bem, está claro que o projeto &#8220;Você gostaria&#8230;?&#8221; não envolve qualquer &#8216;competição&#8217; por &#8216;créditos artísticos&#8217; ou &#8216;espaço em catálogo&#8217;: todos os participantes realizam ações produtivas que se justificam plenamente em si mesmas, afirmando um lugar a partir do qual outros processos podem ser deflagrados &#8211; há uma produção real de redes de contato e elaboração de uma discussão que acaba por construir seu próprio fluxo: o website do projeto foi construído de modo a disponibilizar ferramentas de publicação aos participantes, que trabalham pela positividade de seus próprios discursos, sem passar por minha mediação (há os limites do site e os limites do projeto &#8211; estes não são escamoteados mas sim trazidos como elementos do jogo proposto) &#8211; ou seja, o website está no espaço coletivo da esfera pública informático-mediática. Assim foi concebido e desenvolvido o projeto desde seu início, em 1994 &#8211; a atual colaboração com a documenta 12 apenas amplifica a escala da proposta, colocando novos desafios frente a um momento de forte visibilidade.</p>
<p>Fernando, escrevi talvez demasiado, mas fiquei empolgado pela possibilidade de conversa com &#8216;arteporextenso&#8217; a partir de suas observações&#8230;</p>
<p>Um abraço,<br />Ricardo</p>
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		<title>Por: victor da rosa</title>
		<link>http://www.fernandoboppre.net/blog/basbaum-no-palacio-cruz-e-sousa.html/comment-page-1#comment-10</link>
		<dc:creator>victor da rosa</dc:creator>
		<pubDate>Wed, 29 Nov 2006 16:44:00 +0000</pubDate>
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		<description>se me permite um comentário, cássio: acho que o gesto do &#039;vaca&#039; não foi na lógica da negação, mas da suspensão, que é bem diferente. o gesto do &#039;vaca&#039;, a meu ver, não torna o objeto mais presente - pelo contrário, torna o objeto ausente, o faz desaparecer, o tranforma em um recibo de doação. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;(não posso falar da intervenção feita em sua casa, pois não sei como se deu o processo)&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;um abraço,&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;victor.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>se me permite um comentário, cássio: acho que o gesto do &#8216;vaca&#8217; não foi na lógica da negação, mas da suspensão, que é bem diferente. o gesto do &#8216;vaca&#8217;, a meu ver, não torna o objeto mais presente &#8211; pelo contrário, torna o objeto ausente, o faz desaparecer, o tranforma em um recibo de doação. </p>
<p>(não posso falar da intervenção feita em sua casa, pois não sei como se deu o processo)</p>
<p>um abraço,</p>
<p>victor.</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: cássio ferraz</title>
		<link>http://www.fernandoboppre.net/blog/basbaum-no-palacio-cruz-e-sousa.html/comment-page-1#comment-9</link>
		<dc:creator>cássio ferraz</dc:creator>
		<pubDate>Wed, 29 Nov 2006 11:38:00 +0000</pubDate>
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		<description>caro fernando,&lt;br/&gt;só agora pude me sentar para ler seus comentários sobre o nbp em florianópolis, estou correndo sempre, igual ao coelho da alice. acredito realmente que a estada desta &quot;peça&quot; por aqui detonou diálogos interessantes, muito mais por uma certa projeção no circuito das artes do que por uma possível transgressão artística. aliás transgredir é uma atitude que não tenho visto muito por aqui, acredito que possamos  ser mais ousados, menos politicamente corretos em todos os sentidos criativos, mais amadores e menos profissionais. realmente sinto esse clima de fetichisação em torno da &quot;peça&quot;, no entanto, também vejo que isso ocorre muito mais por um sistema viciado e normatizado do que pela proposta do ricardo em si. sua proposta encontra eco nas mais diversas ações e reflete muito mais esse clima de apaziguamento na arte do que outra coisa. o que o vaca fez foi interessante, entretanto a negação reforça a presença do objeto, haja visto o tamanho da discussão em torno da &quot;peça&quot;. quanto ao queimando a cuca, eu e alguns amigos nos sentimos à vontade ao privilegiarmos a fôrma em detrimento da fórma e como você mesmo viu o que ocorreu foi uma espécie de isolamento da &quot;peça&quot; uma resignificação da obra em si, que passa a fazer parte de um contexto simplesmente por sua funcionalidade prática, um ready made às avessas, afinal de contas o que queríamos mesmo era comer a cuca.&lt;br/&gt;abraço,&lt;br/&gt;c.f.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>caro fernando,<br />só agora pude me sentar para ler seus comentários sobre o nbp em florianópolis, estou correndo sempre, igual ao coelho da alice. acredito realmente que a estada desta &#8220;peça&#8221; por aqui detonou diálogos interessantes, muito mais por uma certa projeção no circuito das artes do que por uma possível transgressão artística. aliás transgredir é uma atitude que não tenho visto muito por aqui, acredito que possamos  ser mais ousados, menos politicamente corretos em todos os sentidos criativos, mais amadores e menos profissionais. realmente sinto esse clima de fetichisação em torno da &#8220;peça&#8221;, no entanto, também vejo que isso ocorre muito mais por um sistema viciado e normatizado do que pela proposta do ricardo em si. sua proposta encontra eco nas mais diversas ações e reflete muito mais esse clima de apaziguamento na arte do que outra coisa. o que o vaca fez foi interessante, entretanto a negação reforça a presença do objeto, haja visto o tamanho da discussão em torno da &#8220;peça&#8221;. quanto ao queimando a cuca, eu e alguns amigos nos sentimos à vontade ao privilegiarmos a fôrma em detrimento da fórma e como você mesmo viu o que ocorreu foi uma espécie de isolamento da &#8220;peça&#8221; uma resignificação da obra em si, que passa a fazer parte de um contexto simplesmente por sua funcionalidade prática, um ready made às avessas, afinal de contas o que queríamos mesmo era comer a cuca.<br />abraço,<br />c.f.</p>
]]></content:encoded>
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