Aqui acontecem coisas estranhas


2 comentários:

  1. Cristiano says:

    Fernando, meu amigo,

    Parabéns por mais um excelente texto. Sua capacidade de análise e articulação de ideias são sempre impressionantes para mim. Apenas discordo de sua crítica do Niemeyer e do critério de “equivalência moral” aplicado para o julgamento dos torturadores e dos guerrilheiros de esquerda. Na minha opinião, apenas os torturadores devem ser julgados e condenados. Será maniqueísmo ou mero binarismo redutor pensarmos que os torturadores foram mesmo os bandidos carnificidas enquanto que os guerrilheiros, apesar de terem andado com “as mãos sujas”, foram representantes de uma resistência em conflito com forças materiais desproporcionalmente superiores? Devemos relativizar isto? Creio que o critério de “equivalência moral” reforça o argumento dos militares, quando se referem às comissões de verdade como a tradução de um suposto “revanchismo”.

    Embora haja quem pense ser anacrônica a condenação de crimes ocorridos no passado, penso que essa será uma “boa” anacronia. Como disse o nosso conhecido Raúl Antelo, no IHU Online, edição de agosto de 2008, lembrando-se de Jankélévitch, “são imprescritíveis os crimes contra a humanidade, que não aconteceram no passado, estão sempre acontecendo, eles acontecem já, diante de nós.”

    Continue mandando brasa na coluna “Penso” do caderno Cultura do DC.

    Um abraço

  2. Fernando says:

    Caro Cristiano,
    hoje, passados alguns meses do texto, já mudei de opinião e concordo plenamente com você que não deva haver “equivalência moral” no julgamento de torturadores e de guerrilheiros. Esses últimos foram aniquilados e atuavam em legítima defesa do seu direito de se manifestar, ao contrário do Estado Brasileiro.

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